domingo, 26 de maio de 2013
Crack causa 50% mais mortes de neurônios que cocaína, diz pesquisa da USP
A grande morte de neurônios provocada pelo uso da droga pode levar,
no longo prazo, a uma predisposição maior à demência e a outros problemas
cognitivos. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o aquecimento
de dois componentes que formam o crack, o éster metilecgonidina (Aeme) e a
cocaína, aumenta em 50% a morte de neurônios em
usuários, quando comparado ao consumo isolado das duas substâncias. O crack é
produzido a partir da mistura da pasta de cocaína, bicarbonato de sódio e água,
sendo que o Aeme é um produto da queima, ocorrida quando o usuário fuma a pedra
de crack, explica a professora do Departamento de Análises Clínicas e
Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Tania Marcourakis,
responsável pela pesquisa.
Segundo a pesquisadora, o objetivo do estudo era conhecer melhor o
Aeme, que é usado no meio médico como marcador biológico do uso do
crack. Ela explica que a presença do éster metilecgonidina em um organismo
permite, por exemplo, deduzir a causa de uma morte pelo uso da droga. “A nossa
pergunta foi: será que essa substância é só um marcador biológico ou ela também
é ativa?”, disse. A partir desse questionamento, os cientistas pretendem
investigar se o Aeme associado à cocaína, além de provocar um
nível maior de morte de neurônios, participa também
da dependência química do crack.
“A gente sabe que o crack tem um potencial devastador no usuário, muito maior
que a cocaína nas outras formas de administração. Sabemos que [a droga] leva à
dependência mais rápido. Mas a gente ainda precisa concluir os trabalhos”, disse
Marcourakis. O que se sabe, por enquanto, é do alto potencial de neurotoxicidade
do Aeme associado à cocaína. Embora não haja comprovação, a pesquisadora
acredita que o resultado dessa grande morte de neurônios pode ser, no longo
prazo, uma predisposição maior à demência e a outros problemas
cognitivos.
Danos podem ser mais evidentes na velhice
“Isso pode não se manifestar na idade jovem, porque você tem mecanismos
plásticos [facilidade em compensar a perda neuronal] que podem dar conta disso
dentro da idade adulta, nos jovens, adolescentes. Mas, na velhice, já tem uma
perda neuronal [natural] e esses mecanismos não estão tão eficientes”, explica
Marcourakis.
Como os estudos foram feitos apenas a partir de cultura de neurônios in
vitro, os danos reais provocados pelo crack no cérebro do ser humano ainda são
desconhecidos. Marcourakis acrescenta que, por se tratar de uma droga
relativamente recente, ainda não é possível estudar as suas consequências no
cérebro de viciados ao longo de muitos anos.
Fonte: Diário do
Nordeste

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